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As origens — história de Pombal


Na busca das origens do concelho de Pombal, lendas e factos históricos misturam-se, lançando alguma incerteza quanto à data concreta da formação deste concelho, bem como sobre a origem da sua nomenclatura. Dois dados são contudo coincidentes: ambos (lendas e história) apontam para o período da reconquista cristã aos mouros (por volta do século XII) e para a forte presença dos Templários naquela região.

Segundo reza uma das lendas, o nome de Pombal deriva de Al-Pal-Omar, senhor muçulmano, de grande riqueza e poder, que terá vivido na encosta do monte onde agora se ergue o Castelo de Pombal, e aí terá construído um sumptuoso palácio subterrâneo, o que dificultava o acesso do exterior, tornando praticamente impossível a sua conquista. No entanto, os Templários, sob o comando de Gualdim Pais, e com a protecção de S. Miguel, conseguiram derrotá-lo e desbaratar as suas tropas.

A necessidade de manter aquela conquista e suster as forças muçulmanas, levou D. Gualdim Pais a mandar construir uma fortaleza - o Castelo de Pombal - que dedicou ao arcanjo S. Miguel.

As obras de restauração do Castelo, em 1940, revelam indícios da existência dessa fortaleza árabe no monte, soterrada sob o Castelo, o que, de certa forma, vem dar alguma credibilidade histórica a esta lenda.

Outra lenda atribui o nome de Pombal a um rei (não é identificado), que ao passar por aquelas paragens, e
vendo um grande número de pombas sobrevoando o Castelo, terá exclamado «Formoso Pombal!».

Esta associação encontra-se em alguns documentos medievais, como é o caso do Floral da Redinha, datado de 1159, onde Pombal é designado como «Terrae Palumbarü» e a própria heráldica do concelho coloca dois pombos nas ameias do Castelo.

Lutas pela identidade

O local exacto do nascimento de Pombal continua a ser uma incógnita que divide os historiadores. A Ladeira dos Governos (elevação Norte do Castelo), a encosta do monte de S. Cristóvão e a desaparecida povoação de Chões, são algumas das hipóteses colocadas por diversos cronistas. Moedas encontradas durante as obras de restauro do Castelo apontam para a certeza da presença romana naquela região, não definindo, contudo a existência de uma povoação. Desta, encontram-se os primeiros registos depois das conquistas de Santarém e Lisboa aos mouros, por volta de 1147. A estabilidade que essas conquistas proporcionaram a esta região a Sul do Mondego permitiram a fixação de agricultores e artesãos.

A construção do Castelo de Pombal - entre 1147 e 1161- terá contribuído decisivamente para o enraizamento populacional e para o desenvolvimento da região, assim como o papel activo que a Ordem dos Templários, sob o comando de Gualdim Pais, passou a ter no concelho.

Em 1131 concede foral a Ega, seguindo-se Redinha, em 1159, e por fim a Pombal, em 1174 (que seria renovado em 1176). Para além dos dois forais, D. Gualdim Pais concede também a Pombal uma carta de privilégios, no ano de 1181.

Em 1385, as tropas de D. João de Castela atacaram Pombal, que se tinha colocado ao lado do Mestre de Avis, e provocaram estragos de vulto à povoação e ao Castelo, que só em 1509, por ordem de D. Manuel,
foi recuperado e passou a servir de residência ao alcaide-mor da vila, Conde de Castelo-Melhor.

Cerca de 270 anos mais tarde, o Marquês de Pombal, (que ali viveu entre 1777 e 1782), procede a uma série de melhoramentos na povoação, entre os quais se destacam a ordenação da parte baixa da vila, bem como a construção da cadeia na Praça Velha.

Na última década do século XVIII assistiu-se a um grande desenvolvimento da região para o qual muito contribuíram o desvio da estrada real para dentro de Pombal e a construção da ponte sobre o rio Arunca.

As invasões francesas vêm travar este progresso de Pombal. Em 1811 as tropas comandadas pelo general
Massena saquearam e incendiaram toda a povoação e um consequente surto de cólera transformou Pombal numa localidade abandonada, com a estrada real totalmente desmantelada e intransitável, contribuindo para um maior isolamento da região. A construção da via férrea, em 1855, põe fim a esta situação e permite a Pombal estabelecer comunicação rápida com os principais centros de Portugal.

Crescimento Económico

Com uma localização invejável, Pombal é, actualmente, um dos concelhos de maior índice de desenvolvimento da região. Situada no Centro litoral do País, a noroeste do distrito de Leiria, dista cerca de 160 quilómetros dos grandes centros de Lisboa e Porto. Estendendo-se do Oceano Atlântico ao rio Nabão, numa área total de cerca de 640 quilómetros quadrados e fazendo fronteira com os concelhos de Ansião, Alvaiázere, Leiria e Ourém, Pombal é um dos concelhos que, juntamente com Batalha, Leiria, Marinha Grande e Porto de Mós, formam a sub-região «Pinhal Litoral».

A grande acessibilidade conferida pela recente construção de modernas vias de comunicação-ferroviária e rodoviária — tem permitido ao concelho um acentuado crescimento económico, com condições únicas de prosperidade para os seus habitantes.

Freguesias com história

São dezassete o total das freguesias que compõem o concelho de Pombal: Abiúl; Albergaria dos Doze; Almagreira; Carnide; Carriço; Guia; Ilha; Louriçal; Mata Mourisca; Meirinhas; Pelariga; Pombal; Redinha; Santiago de Litém; S. Simão de Litém; Vermoil e Vila Cã.

Se algumas destas freguesias são de criação recente, como é o caso da Guia, das Meirinhas e da Ilha (este alinhamento do concelho tem cerca de um século de existência), outras, porém, têm uma história cheia de riqueza. É o caso de Redinha situada no extremo nordeste do concelho de Pombal. Esta freguesia é ainda hoje um paraíso para os arqueólogos e espeleólogos. No início do século passado, escavações arqueológicas permitiram descobrir machados de pedra polida e um silo pré-histórico. Na década de 80 foram localizados na gruta do Ourão numerosos artefactos do solutrense e do paleo-neolítico. Nos Poios, uma investigação arqueológica permitiu localizar gravuras pré-históricas e nas proximidades de Redinha situa-se a inexplorada estação arqueológica de Roda ou Rodina, onde são visíveis vestígios romanos dando conta de um burgo romano, próximo da estrada que liga Conimbriga ao Sul. Posteriormente, Redinha vê o seu nome ligado a uma das personalidades mais ilustres da história de Portugal. O Marquês de Pombal adquire terras na vila e em 1776 o seu filho é nomeado conde de Redinha. Outra das freguesias que atingiu importância histórica é Abiúl que, de 1175 - altura em que D. Afonso Henriques doa a região ao importante mosteiro do Lorvão - até à segunda metade do século XVIII, conheceu um período de grande prosperidade e desenvolvimento.

Esta freguesia beneficia de uma série de forais, o último dos quais concedido por D. Manuel, deixando de ser propriedade do Mosteiro do Lorvão para ficar sobre o senhorio dos Duques de Aveiro em 1515.
Os cerca de 250 anos de desenvolvimento que se seguiram terminam quando os duques de Aveiro caem em desgraça, sendo perseguidos pelo Marquês de Pombal. Em 1811, Abiúl passa para a Coroa e em 1821 é anexada a Pombal, o que motivou alguns protestos dos habitantes mais interessados numa ligação a Ansião. Para além das famosas festas do Bodo em honra de Nossa Senhora das Neves — ainda hoje comemorado no primeiro domingo de Agosto — Abiúl tem também uma forte tradição tauromáquica, pois terá sido palco das primeiras touradas realizadas em Portugal, por volta de 1561.

Silvina Santos

In Revista de Pombal, Noticias de Leiria, edição 200, de 24 de Abril de 2003
Distrito de Leiria

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