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História de Leiria

Palácio Randufo

Já muito longe da presença romana nesta região, em 1142, o 1.° foral concedido a Leiria faz uma alusão a «Palácio Randufo ou Palácio Randulfo», que é referido como limite da área de jurisdição: «.., entre os rios Leirena e Eirena até ao Palácio Randulfo».

Esta expressão tem suscitado várias opiniões, tais como:

A) Para uns, entre os quais o Dr. Luciano Justo Ramos, aceita-se a expressão como sendo um palácio, situado possivelmente no local da antiga Colipo; concluindo-se daí que no local da antiga Colipo existia, na primeira metade do séc. XII, um antigo palácio.

B) Para outros admite-se inclusive que este palácio, e continuam a entender como «palácio», fosse o resto, ou mesmo ruínas, de um palácio da época romana ".

C) Ainda para outros, e incluímo-nos nesta terceira hipótese, onde estamos acompanhados por P. José Ferreira de Lacerda e Alfredo de Matos, «Palácio Randulfo» será uma área, um reguengo ou território que fazia parte do património real, um povoado, uma igreja, ou, talvez mesmo, uma paróquia.

Esta hipótese fundamenta-se em:

1. Em Janeiro de 1227, «Palácio Randulfo» foi declarado pertença régia, conforme documento arquivado na Torre do Tombo, gaveto 20, maço 3, n.° 14.

2. Em Outubro de 1249 existia um acordo entre os frades de Santa Cruz de Coimbra e o clero (secular), pelo qual «os frades ficavam com dois terços do rendimento da igreja de S. Sebastião de Palácio Randufo, e o terço restante ficava para o clero leiriense» 16.

3. «Na era de 1271, correndo o mês de Janeiro, todos os jurados por mandado do Sr. Rei D. Sancho II de Portugal disseram que está um reguengo escondido em palácio Randufo, perto da herdade dos frades de S. Cruz, o qual foi dado a João Monge por Domingos Peres, em paga do serviço que lhe prestou; e João Monge vendeu-o a morto vivo, que, por seu lado, o vendeu a Pedro Peres armeiro».

A ideia de que «Palácio Randufo» era uma população, ressalta ainda de um documento de acordo em que «Martim Anaia e vários indivíduos de Palácio Randufo se compuseram a respeito de uma propriedade que o Mosteiro de S. Cruz possuía em Palácio Randufo e que o dito Mosteiro recebera livre».

O mais interessante é a referência clara a «igreja de S. Sebastião de Palácio Randufo». Ora como os achados romanos se situam na actual Quinta de S. Sebastião do Freixo, podemos concluir por uma certa identidade do local: S. Sebastião do Freixo — S. Sebastião de Palácio Randulfo — Colipo. Porém, esta dedução não pode só por si estabelecer dado histórico, pois sabemos que a invocação de um mesmo santo, em determinado local, entregue à tradição popular ao longo dos tempos, não constitui garantia histórica de que se trata do mesmo lugar físico.

Lembremo-nos entretanto que, segundo o costume romano, haveria em volta de Colipo, o centro administrativo, várias vilas ou palácios, vários centros de exploração agrícola ou mineral. E, sendo assim, nada nos repugna que amanhã se venha a provar que «Palácio Randufo» se situava nos actuais POUSOS, como pretende Pedro de Azevedo. É que toda esta área, é área «coliponense», área da influência de Colipo.

Aceitamos, pois, até que se prove o contrário, que a povoação — povoação e não palácio — de «Palácio Randufo» se situasse na área e inclusive no próprio local da antiga Colipo.

In Alerta, Leiria, Edição do Agrupamento nº. 127 do Corpo Nacional de Escutas, Sé de Leiria

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