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História de Leiria

S. SEBASTIÃO DO FREIXO

Pelos documentos conhecidos, quase todos monumentos funerários, é opinião mais seguida que a cidade de COLIPO se situaria na actual QUINTA DE S. SEBASTIÃO DO FREIXO, a 7,5 kms. da actual cidade de Leiria, na maior elevação da zona, no actual lugar de Andreus, exactamente onde termina a freguesia da Barreira, concelho de Leiria, e começa a freguesia e concelho da Batalha. No topo da elevação, entre buracos de escavações abandonadas, ergue-se o marco geodésico, a 243 ms. de altitude.

D. Domingos de Pinho Brandão, em conferência referida no n.° 2838, de 1/6/72, de «O Mensageiro», a pág. 5, diz: «Cremos bem que há dois mil anos ou pouco menos, a palavra Colipo servia para designar a vasta região, ......... chama-se, ou pode chamar-se «Coliponense» esta terra, porque «no período da romanização assentava no alto, que hoje designamos S. Sebastião do Freixo, o antigo município de Colipo ... porque dormem aí soterrados ricos vestígios que testemunham a importância e o esplendor desse município. Disso nos fala uma bela escultura dum magistrado ou orador togado, tendo aos pés a caixa dos volumina, e mais 44 inscrições latinas».

Estas inscrições foram doutamente estudadas e catalogadas por Sua Ex.a Rev.a o Sr. D. Domingos de Pinho Brandão, então Bispo de Filaca e Auxiliar de Leiria, na sua obra «Epigrafia Romana Coliponense», separata de Conimbriga, Vol. XI - 1972.

Dessas 44 inscrições, sete falam de naturais de Colipo ou revelam pormenores dos quais se conclui a importância administrativa deste município.

Dessas sete destacamos, pela sua importância, apenas quatro:

A) - EPITÁFIO DE CORINTO

Corinto era natural de Colipo e escravo de Hélvio Filipe. O epitáfio foi descoberto em Roma e ignora-se o seu actual paradeiro. A tradução portuguesa da inscrição latina diz: «Vítor e Céler mandaram levantar, à sua custa, (este monumento) à memória de seu irmão Corinto, escravo de Hélvio Filipe, que era natural da Lusitânia, do município de Colipo, e morreu com 21 anos de idade».

Desta inscrição ressalta:

1) Colipo como município da Lusitânia;
2) terra da naturalidade de três escravos, ou, pelo menos, do escravo falecido;
3) a existência da escravatura em Colipo, situação corrente na época;
4) a migração ou deslocações Colipo-Roma, e daí se poderá concluir pela inversa, motivadas quer pelas carreiras profissionais, quer por fins comerciais;
5) a solidariedade e amor entre os irmãos escravos.

B) -MONUMENTO A ANTONINO PIO

Inscrição honorífica, talvez base de uma estátua, que se encontra na parede da Igreja de Nossa Senhora da Pena, em Leiria, e cuja tradução reza assim:

«Ao divino Antonino Augusto Pio, pai da Pátria, o melhor e o mais respeitável príncipe de todos os séculos, consagra esta memória, em nome do Senado de Colipo, Quinto Talócio Alio Siloniano, filho de Quinto, da tribo Quirina, cidadão coliponense, seu «evocatus» da 6.ª coorte pretoriana, em razão de o terem feito decurião com dispensa do honorário e das funções e encargos públicos. Dedicada por decreto dos decuriões, aos 13 dias das calendas de Outubro (19 de Setembro), sendo cônsules o Imperador César Lúcio Aurélio Vero Augusto pela terceira vez, e Marco Umídio Quadrado, sendo duúnviros de (Colipo) Quinto Alio Máximo e Gaio Sulpício Siloniano.»

De interesse para a história de

1) A data da dedicação a Antonino, bem identificado na história. Este imperador, conhecido por «Pai do Povo» governou 23 anos (de 138 a 161), exactamente um dos períodos mais felizes da história de Roma, e faleceu a 7 de Março de 161. A sua exaltação é feita pelo Senado de Colipo em 167, precisando-se logo a seguir no «terceiro consulado do Imperador César Lúcio».
2) A referência explícita a Colipo e ao seu Senado.
3) A indicação do nome dos duúnvios do município de Colipo nesse ano de 167.
4) A referência à carreira do munícipe coliponense Quinto Talócio Alio Siloniano.

A organização administrativa e militar romana trazia novos nomes à região.

C) -EPITÁFIO A MARCO GÚRCIO CASSIANO

Inscrição funerária, descoberta em S. Sebastião do Freixo durante os trabalhos de cava e preparação para vinha, que, na parte que nos interessa, diz:

«A Marco Gúrcio Cassiano, da tribo Quirina, que morreu com 32 anos e que tendo desempenhado todas as dignidades do município de Collippo ... ".

De ressaltar a alusão ao município de Colipo e seus postos dignitários.

D) -HOMENAGEM A LIBÉRIA GALA

Inscrição funerária, homenagem à sua antiga patrona, prestada por 5 libertos que lhe ficaram devendo a carta de alforria, cuja tradução diz:

«Lúcio Sulpício Claudino fez as despesas de funeral, deu lugar para a sepultura e levantou uma estátua, que lhe foi dada por decreto dos decuriões de Colipo, a Libéria Gala, filha de Lúcio, flamínica de Évora e da província da Lusitânia».

Libéria Gala faleceu e foi sepultada em Colipo. Tratava-se da flamínia ou flamínica de Évora, i.é., da sacerdotisa que ajudava o flâmine ou era a mulher deste. O flâmine era o sacerdote da antiga Roma encarregado de soprar o fogo sagrado. A missão dos flâmines e das flamínicas dizia respeito às divindades oficiais e ao chamado culto imperial, organizado a nível de cidade ou de província.

De realçar nesta inscrição a alusão a um decreto dos decuriões, do Senado, de Colipo.

In Alerta, Leiria, Edição do Agrupamento nº. 127 do Corpo Nacional de Escutas, Sé de Leiria

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